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28 julho 2007

vaias

Bem se sabe que não foi, certamente, o povo brasileiro quem vaiou o presidente naquela noite de abertura do Pan. Eu estava em Maringá, assistindo à cerimônia pela TV e, tomando um susto, ouvi aquelas vaias desrespeitosas enquanto Galvão Bueno silenciava, constrangido (?). Não é o povo brasileiro que tem grana pra entrar num estádio e assistir a uma cerimônia luxuosa como a abertura dos jogos. Quem vaiou Lula foi uma parcela da classe média burra brasileira que, em cima de seu tamanco, acha que entende bastante de política e que pode manifestar-se quando quiser e da maneira como quiser.
Diante daquele acontecimento cheguei à conclusão de que a classe média, além de burra (embalada pela opinião alheia) é também sem educação. Quem viu aquilo de fora do país deve ter admirado assistir a um povo tão alegre e tão receptivo a vaiar o presidente da república (que foi eleito democraticamente por meio do voto popular, lembremos bem).
Independentemente de quem fosse o presidente, aquele não era o lugar nem a hora de se provocar um protesto como o realizado. Acontece que essa gente mediana ignorante não dá legitimidade a Lula e não consegue aceitar, até hoje, que um homem desses conseguiu chegar ao poder, porque o cara fala errado, usa barba e não passa, sem dúvida, de um nordestino retirante que veio se aventurar em São Paulo, como torneiro mecânico, e acabou chegando, assim, como quem não quer nada, à presidência da república. Esses porcos imbecis não acreditam que alguém sem diploma universitário seja capaz de ocupar um cargo no alto escalão da política nacional.
Lula é o presidente mais desrespeitado que esse país já teve. Mas é também o mais admirado, já que a maioria da população não estava naquele estádio e, não duvido, teria aplaudido incessantemente a figura daquele que a representa de maneira legitima frente ao poder executivo desse país.
As vaias não se limitam ao presidente. A falta de educação se estendeu às apresentações dos atletas de outros países que, mesmo tendo dado um show esportivo, acabaram levando uma banana do público brasileiro (que não soube se comportar como um bom perdedor na hora que convinha). Vaias que mostram o quão nojenta é nossa classe média.
Fica registrado o meu repúdio a essa gente estúpida e sem educação.

03 junho 2007

montage // campinas 2-jun

"VOCÊ TEM QUE MATAR O PRESIDENTE AMERICANO"
ouvira eu falar que o show do montage era um dos melhores do underground, mas não dei muita bola para esse papo doido aí... uma bandinha de electropunk pode ser tão boa de palco assim? bom, fui mudando de opinião na medida em que ia tendo acesso às músicas dos garotos de fortaleza. a primeira foi um miami bass chamado "floor floor floor" que, quando ouvi, pensei: os caras estão antenados com a eletrônica brasileira. o espanto, mesmo, veio quando baixei "raio de fogo" no trama virtual. puta musiquinha bacana, cara! tem uma batida dançante um tanto pesadinha e conta a história de uma pomba-gira com refrão pegajoso e tudo mais ("raio de fogo eu preciso de você, vamos jogar o jogo da amerelinha, se eu perder você me ganha se eu ganhar você é minha"). daniel peixoto subiu ao palquinho do clube informal 2 e quebrou todas as minhas expectiativas. o cara é mesmo muito bom!!! e leco jucá, mesmo com uma corda arrebentada, fazia a guitarra gritar como há muito eu estava sedento de ouvir. fiquei extasiado, mesmo, ao som da ótima "presidente americano", surpresa para mim (velho defensor da integação cultura pop + engajamento político). "floor floor floor", no palco, virou um pancadão com direito a "fogão da marca dako" e outras referências especiais aos morros do brasil. aumentou a minha admiração pelos meninos. mesmo com uma puta crise respiratória (devido a essas mudanças bruscas de clima em campinas), pude curtir um show excelente, acompanhado da discotagem do nosso querido julian que mandou ver nas pic ups quentes do informal. quero mais montage!!!
quer saber mais sobre montage? visite:
http://www.youtube.com/watch?v=mdS_9XBau7w (montage no central da periferia)

06 maio 2007

mamãe eu quero ser cool

Pois é, Alexandre, a gente pode ser pobre e cult ao mesmo tempo... Na verdade, todas as pessoas deveriam ter acesso à cultura, à arte e à beleza, mas nesse mundo em que a gente vive tem gente que não tem acesso nem mesmo ao pão e ao teto. Eu procuro conciliar minha vida cultural com um certo engajamento político, saca? Eu ouço Cansei de Ser Sexy e, ao mesmo tempo, reflito sobre a Redução da Maioridade Penal e milito a favor da Anulação do Leilão da Vale do Rio Doce. É muito bom poder freqüentar o clube mais cool da cidade depois de ter participado de uma manifestação política a favor dos direitos da juventude.

25 março 2007

vamos fazer a revolução socialista ou vamos abrir um boteco novo?

Quer saber a verdade?
Estou querendo encher a cara e cantar qualquer rockinho antigo
Essa LIBERDADE está esvaziando meu copo

04 março 2007

engajamento e cultura pop

acredito na vida como um leque de possibilidades e a metamorfosidade ambulantesca que está por traz disso me faz atento à novidade que o mundo trás...
:: sou o esquisito ::
no mesmo dia em que participo de uma passeata socialista vou à um clube para dançar rock e música eletrônica.

o meu engajamento político tem poesia